Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




Um dedo de Prosa
 


Em Troca, Dinheiro

 

Abro a porta depois de um toque de campainha longo e sou cercado por desocupados com a Bíblia embaixo do braço e algum folder ilustrado de preto e branco.

Nunca um só fala, parece que não existe liderança entre os membros do grupo. Sabe-seque o objetivo de todos é arrancar dinheiro do provável futuro irmão.

Sou rápido na decisão de não dá corda e logo os despacho com palavras, às vezes ríspidas, mas decisivas quanto a minha intenção de não aderir aos apelos dos “religiosos”.

É constante o assedio das milhares de seitas e correntes religiosas quase todas ramificadas no cristianismo e transformadas em mercenárias criaturas que propõem venda de milagres, vendem a salvação e se dizem envolvidas na fé a um ser supremo, um deus diferente dos outros. Para mim não há argumento, é como mexer em merda só aumenta o fedor.

Naquele domingo esperávamos amigos para colocar o papo em dia, eles estavam chegando de uma viagem longa e era necessário que os acolhessem em casa naquele dia.

Não tive outra alternativa senão chotar aqueles charlatões de minha porta antes que criassem asas e permanecessem uma eternidade diante de mim. A minha esposa, uma católica convicta, havia ido ao andar de cima se trocar e, por isto, tratei de me livrar do grupo.

Quando ela desceu perguntou quem tocara a campainha, antes que eu respondesse ela viu os papéis por eles deixados e perguntou quanto custaram aqueles materiais. Eu havia dado um real a uma mocinha aprendiz que embolsou o dinheiro e se dirigiu à porta ao lado no intuito de angariar mais fundos para sua igreja, ou melhor, pro seu pastor.

É uma corrida desesperada por números, onde o beneficiado é o criador do templo, pessoas sem escrúpulos como Edir Macedo, um bispo por ele mesmo autodeterminado



Escrito por Tobias Marques às 17h38
[] [envie esta mensagem
] []





O Primeiro Natal

No início da década de sessenta eu dava um passo em direção desconhecida, saía do sítio e enfrentava uma cidade de ruas e avenidas com alguns caminhões conduzindo cargas pesadas, os automóveis quase não existiam e muita gente circulando para lá e para cá.

Muitas casas aglomeradas, o comércio concentrado em um único local, o velho mercado de carne, legumes e as lojas de tecido, cujos donos eram latifundiários ou tinham belas casas com mármore na entrada e um arco na porta da frente com um jarro de planta colorida, regada todo dia pela madame que não fazia outra coisa. A casa toda tinha piso de mosaico colorido.

O ano passava e nossa casa com cheiro de mofo recebia algumas cadeiras novas, uma cama de colchão de mola, mas as redes eram nossas dormidas num quarto apertado, onde todos nós meninos dormíamos e a conversa ia até tarde.

Minha irmã mais velha, uma espécie de chefe da turma, ia aos poucos nos controlando e ai de quem a desobedecesse. Durante as férias de junho voltávamos para o sítio, retornando um mês depois às aulas mais conscientes de que nosso pai estava se sacrificando para nos ensinar o b- a-bá da vida e quase todos aprendiam a lição direitinho. Os costumes da cidade também nos tornavam criaturas civilizadas, embora ainda não fosse tão adiantado o município de Guaraciaba em cima da Serra da Ibiapaba. No inicio do quarto trimestre já eram muitos os comentários sobre o próximo natal e eu já havia ouvido falar nisto, num tal de papai Noel e confundia ele com meu pai e com Deus, quem meu pai muito elogiava e ensinava-nos suas orações.

Uma revista de circulação nacional da época trazia alguns comentários a cerca das festas de final de ano e cada vez complicava mais aquele monte de coisa ao mesmo tempo. Já bem perto do dia vinte e cinco a movimentação aumentava e minha irmã saía até uma lojinha para comprar novidades e vinha com uma sacola, a qual minha mãe havia bordado em casa mesmo, cheia de coisas e não deixava que ninguém a visse aberta. Eram coisas simples, guardada a sete chaves, prometendo que antes do fim do ano todos saberíamos o que eram. Deixava-nos, os menores, curiosos, mas meu pai havia ensinado que coisa daquele tipo era para ser respeitada, então aqueles quatro ou cinco dias eram para ser esquecidos e no dia vinte e cinco pela manhã encontrávamos sob as redes quase arrastando no chão pequenos objetos e era curioso descobrir como chegaram ali. As meninas haviam recebido bonecas e nós os meninos, em maior número, bolas de borracha e de sopro bem coloridas. Foi uma festa ao saber que eram trazidas por papai Noel.

Mas quem era esse Papai Noel? E por que ele não havia trazido presentes também para aquelas crianças mais pobres, moradoras nas casas de nossas terras?

Eram muitas perguntas sem respostas e a certeza de que o natal existia a partir daquela noite com direito a presente e um peru que minha mãe engordava há dois meses para comer oportunamente, dizia ela.

Tudo fantasia de natal, uma festa onde o nascimento de Jesus Cristo é o foco, muitas vezes esquecido por quem só quer se divertir.



Escrito por Tobias Marques às 10h29
[] [envie esta mensagem
] []





Queridos leitores estou impossibilitado de enviar matéria para este blog por falta de espaço, que a UOL limitou e não me interessa excluir nenhuma matéria.

O meu desejo era continuar escrevendo para esta coluna e conquistando mais gente para ler meus artigos.

Espero que em breve seja concedido mais espaço e a vida continuar como escritor.

 

Abraços

 

Tobias Marques Sampaio



Escrito por Tobias Marques às 18h25
[] [envie esta mensagem
] []





Um Jogo Para não Esquecer

 

Havia tempo que eu entrara no shoping da Tijuca, Praça Saens Peña, onde um médico me curava de uma enfermidade e lá encontrara uma criatura que seria mais tarde um caso, desta vez estava eu acompanhado de minha esposa.

Tive alguma coisa auspiciosa no início do dia até que fomos informados de que um parente de minha esposa estava internado em estado grave no hospital do câncer. Foram horas de apreensão.

Dali sai remoendo a situação do paciente e a nossa num futuro próximo, até que me deparei com o estádio do Maracanã. É verdade que me transportei, saí do baixo astral e com uma câmera na mão disparei alguns flashs e como era dia de jogo, jogaria Vasco X Ceará, me interessei em assistir, mas ficou só na vontade, visto que a partida começava tarde, por volta das vinte e uma horas. Também não encontrei com quem ir, o vascaíno que me hospeda não é de frequentar estádio e me conformei.

Lá pelas tantas resolvemos que assistiríamos ao jogo de um restaurante próximo, a duas quadras do Maracanã, na esquina da Rua Barão de Mesquita.

Tudo acontecia de improviso. No restaurante uma cantora fraca fazia um show, mas a atenção ficou mesmo para o jogo, já iniciado no momento em que chegamos ao bar.

Entre uma cerveja e outra um grito de urrrrr! O jogo seguia e o Ceará abriu o placar, ainda no primeiro tempo. Veio o segundo tempo e o jogo não mudou, parecidos os times duelavam mornos até que o Ceará fez mais um.

Para mim, longe do meu domicílio, era a apoteose que eu esperava, já para o meu companheiro em desespero e tinha motivo, o Ceará desbancava o líder, vindo do extremo Norte sem as credenciais de um grande time.



Escrito por Tobias Marques às 11h20
[] [envie esta mensagem
] []





O Ceará Tem Disto Sim

 

Estamos olhando para o céu de Fortaleza e o azul esplendoroso prevalece. É o verão escaldante e o alegre sol vinte e quatro horas sobre a cidade. Exagero a parte, mas a noite é só das estrelas, bordada dá até para contar uma a uma, mesmo aquelas pequeninas e que parecem mais distante do que as demais.

O vento também marca presença e, por assim ser, o clima por aqui fica agradabilíssimo, não se sentindo aquele calor de enjoar.

É por isto que muita gente se sente atraído pela região Nordeste, Fortaleza em especial e o Ceará tem o privilégio de ter um clima que agrada, combinado com belezas naturais das mais encantadoras do país.

Estamos, portanto no centro das atrações. Mais uma vez uma de nossas praias é escolhida para ser um paraíso de destaque, abrigando um reality show de uma emissora de televisão. Isto nos envaidece, mas por outro lado pode causar um desastre ecológico num local tão aprazível.

Já o interior do Estado é motivo de critica por quem não conhece o quão maravilhosa é a Serra da Ibiapaba, por exemplo, de clima agradável e de gente hospitaleira.

Quando o período de chuva é bem lembrado por São Pedro, digo São José, tudo fica belo, muito rico em produção. Esperando somente que não chova de mais no mesmo lugar e o povo em vez de sentir o alívio por causa do tempo longo sem chuva, passa a se preocupar em não morrer afogado ou no mínimo perder o pouco que tem levado pelas águas que não poupam ninguém, nem mesmo os que estão soberbos em suas mansões às margens do pequeno córrego que, de repente se transforma numa corredeira sem precedentes.

É assim a natureza em todo mundo. Nada é religiosamente controlado e por assim ser fica melhor.



Escrito por Tobias Marques às 09h12
[] [envie esta mensagem
] []





A Palavra de Deus

 

Quando eu era garoto meu pai recebia a santa, padroeira do município de Guaraciaba, Nossa Senhora dos Prazeres, em nossa casa e até fazia leilão para angariar fundos e manter a matriz em boas condições. É claro que as ordens vinham de longe, embora indireto o Vaticano insuflava a Igreja em geral a captar recursos.

Para todos, além de uma honra, se constituía numa festa a presença da Santa em uma casa da roça. Aliás, só os mais abastados eram vistos pelo padre capazes de ter esse privilégio, não obstante ser de muito trabalho até a Santa ser entregue a outro escolhido para tal.

Até hoje alguns cânticos ecoam em meu ouvido, a começar pela Ave Maria repetida várias vezes e a cada passo era entoado com mais força, havia até quem superava os demais  e constituía em comentários no dia seguinte.

Nisto tudo o mais doloroso, digamos era conseguir prendas (esmolas para muitos) de casa em casa, sendo duvidoso para uns a busca por material suficiente para realizar o leilão. Como tinha quem desse um carneiro, havia quem só dava um ovo e até quem virava as costas em protesto pela visita indesejada.

Meus pais eram muito católicos e tinham um conhecimento muito grande a cerca das coisas da Igreja. Meu pai, por exemplo, lia sempre a Bíblia, coisa rara, ensinava a muita gente a palavra de Deus, em especial aos filhos, que iam para a crisma sabendo as rezas exigidas.

Dizia ele que uma boa formação começava com a religião e não estava equivocado. No final de tudo acabou sendo um intelectual a partir da Escritura Sagrada, um livro que contava muitas passagens da Bíblia, e nós éramos conduzidos à Igreja nos dias propícios.

Hoje se tenta colocar na cabeça dos filhos belos ensinamentos e a rejeição é muito grande, preferindo eles coisas como praia e outras espécies de lazer, que não seriam atrapalhados se colocassem a missa em primeiro lugar.

A salvação parece longe, mas a alma tem de ser preparada desde cedo, o bem estará a frente de tudo para não haver deslize.



Escrito por Tobias Marques às 14h24
[] [envie esta mensagem
] []





Velho Jatobá

(Esse jatobá tem história, mais do que todos nós que perto dele nascemos).

 

Abracei o jatobá e mirei suas marcas do tempo

Os parasitas não perdem tempo

E ele vê reduzida sua vida;

Sua altura de alguns metros de imponência

Merece respeito

Como as evidências de um ancião,

Tudo nele parece sobrenatural;

Seu busto, ou melhor, seu caule

Vão além de alguns metros

Pouco comum em árvores,

Pelos prados, espalhadas na região;

A casca apresenta formas

Rica em desenhos e cores;

Os galhos a mais de vinte metros do solo

Sobressaem sobre muitos que não evoluíram.

Ele como um irmão mais velho, faço-lhe reverência

Sua aparência é de um centenário,

Relutando para permanecer fincado

Com sua vida de gigante sombreando

Para dar guarida a quem nele se encosta.

Vivo para lhe saudar, mesmo sabendo da sua inércia,

Que importa!

Tem a vida paralela a nossa

E a ele dedicamos cuidados

Ciente de que muitos já se foram.

Como um patrimônio histórico

Chamo-o de centenário e posso errar por pouco,

Pois cá com meus sessenta, já o conheci robusto,

Servindo de amparo para uns

E seu tronco para conter bravos animais;

É um jatobá e não um simples jatobá,

É também uma árvores da providência com seus feitos.

Que jamais sirva de obra de arte,

Mesmo porque ele em si já é uma arte

Que a natureza caprichou e nos deu de presente.

Os anos passam e mais ele se apura,

Vivendo no mesmo local

Para nossa alegria

Que mais cem anos o espere soberbo

Como um gênio que se gaba do feito.



Escrito por Tobias Marques às 09h18
[] [envie esta mensagem
] []





Mais Fatalidade

 

Sempre bato na mesma tecla de que da fatalidade ninguém se livra. E não é tão raro, vive acontecendo, fazendo vitimas e pegando-as de surpresa.

Em qualquer circunstância é preciso que esteja exposto e o difícil é não se expor, aliás, impossível.

Imagina-se um carro a trezentos km/hora e um acidente pode acontecer a qualquer momento. De um pneu furado a uma batida nos muros de proteção e as conseqüências quase sempre são daninhas e o piloto geralmente leva a pior, como também além do “culpado”, outras pessoas serem atingidas.

Ao bater contra barreira de pneus colocada para minimizar as consequências do acidente, ninguém imaginava que o piloto Felipe Massa estava sendo vitima de uma coisa inusitada na Fórmula !. Uma peça se solta e vai de encontro a sua testa, contrariando o imaginário.

Depois disto acredita-se que tudo pode acontecer e não há o impossível. Com toda segurança aconteceu e se ela não existisse não teria a corrida.

O piloto ainda convalesce, claro que fora de qualquer coisa de mais grave e ainda se vão alguns meses para o total restabelecimento.

Já nos sentimos aliviados não ter tido piores consequências. A vida de um piloto é constantemente submetida à prova. Toninho Canaã foi outro que passou por apuros. Algumas queimaduras e já promete outras aventuras, finalmente a vida continua.

E para completar no caso do Felipe Massa, a peça, uma mola da suspensão, saiu do carro de Barrichello, parece mesmo uma ironia do destino, um brasileiro atinge o outro levado pelas forças do destino.



Escrito por Tobias Marques às 11h54
[] [envie esta mensagem
] []





País Sem Identidade

 

Às vezes é melhor pagar um despachante do que sair procurando onde e como tirar determinados documentos numa metrópole.

Têm alguns que até para explicar o que é e para que serve é uma exposição de fatos. É muita justificativa.

A burocracia faz da gente besta e tudo isto, segundo os órgãos de serviço público, é por causa de malandragem que corre solta, alguém querendo levar vantagem em tudo, mas convenhamos facilitado pelos mesmos órgãos públicos que não se ajustam, facilitado, também por leis inconvenientes.

Logo que nascemos devíamos receber um número tal que ninguém tivesse igual e um nome nada comum que não fosse confundido com outro bem distante.

O sujeito nasce sabe-se lá como, vive anos após anos sem registro e inventa para si, depois de adulto, qualquer identidade tão sem importância que lá na frente lhe causa complicação.

É um país de terceiro mundo, onde o sujeito levanta as mãos para o céu, agradecendo por ter escapado, e garimpa migalhas pela vida toda, vivendo sem lenço e sem documentos e sem condições de lutar pelos seus direitos.

O Estado até então não tem nenhuma responsabilidade e o individuo se vier a morrer é jogado num buraco qualquer junto com outros infelizes de igual sorte como indigente, tendo as autoridades se livrado do problema como se outros nunca mais aparecessem.

Um sujeito foi se cadastrar em um órgão público e perguntaram seu nome. Ele disse Antonio.

O escrevente perguntou: Antonio de que?

- Bota aí Antonio Damião de Souza.

- É esse o seu nome.

- É não, mas passa a ser.

Isto para não morrer como indigente, jogado numa cova como fazem com animais contaminados por uma bactéria maligna.

Não é à toa que ainda não saímos de país subdesenvolvido. E não é porque o presidente é analfabeto, é porque a maioria é ignorante e os mais abastados arrogantes como os detentores do poder.

Livrarmos desta condição leva tempo e os séculos passam rápido.



Escrito por Tobias Marques às 08h55
[] [envie esta mensagem
] []





Angústia

 

A angústia me tira a concentração. Vivo ansiedades diversas: por ainda eu não ter concluído um negócio vultoso em trâmite; por estar doente e ainda não se chegou a conclusão de como será o tratamento definitivo. Temo a cirurgia, todavia a constante dor me faz criar ânimos e me submeto a qualquer coisa pra não sofrer dores ininterruptas.

A angústia nunca é um bom prato. Ela preenche espaço e atrapalha algumas ações. Muda rotina e faz com que não se produza tanto quanto esteja sóbrio. Aliás, para alguns a angústia leva ao consumo excessivo de álcool, o que torna o individuo anormal.

Quando bate a angústia sentimos um frio na barriga, arrepios e até tristeza por não ver aquela famosa luz no fim do túnel. A bem da verdade, nem o próprio túnel dá para enxergar, tão cego ficamos nessa hora de aflição.

Relaxar, ah! se desse para relaxar, esquecer por algumas  horas. Quando são muitos os motivos esquece-se momentaneamente um e logo colocamos outro em evidência. É uma permuta constante do que temos em mente.

Quando dormimos, sonhamos com os casos e até temos pesadelos, tanto é a gravidade dos problemas pelos quais passamos em meses continuados sem que a solução se consuma.

A angústia não é uma doença, claro, mas incomoda tanto quanto. Como é derivada, o melhor remédio é o fim do assedio do caso e, dependendo do grau tem seus estágios, se chegar ao desespero pode ocasionar coisa como suicídio e a visão mórbida de que não há solução, é evidente.

Para minimizar a angústia só se ocupando sem dar espaço a ela, o que para muitos é impossível.

Trato as minhas ansiedades como inimigas para não virar angústias e os casos mais intrigantes reservo só um pequeno espaço, o dia é curto e tenho outras coisas com que me preocupar.



Escrito por Tobias Marques às 11h34
[] [envie esta mensagem
] []





Uma Fatalidade

 

Um amigo se vai e se vai por conta própria.

Segundo a Igreja tudo o que acontece é por conta de Deus e não cai uma folha seca que não seja pela vontade Dele.

Aí vem a questão, e Deus induz o ser humano a se suicidar?

A coisa não funciona assim. Com o livre arbítrio fazemos o que queremos. O bem e o mal são por nossa conta. O arrependimento também, quando dá para se arrepender.

O amigo de quem falo era um homem do bem, embora fosse um contraventor. Tinha cuidados com a família e com sua alma também. Frequentava a igreja com assiduidade e parecia estar de bem com a vida, sempre.

Defendia os fracos e oprimidos e os ajudava com frequência.

No final das contas deu cabo da própria vida e um milhão de perguntas ficaram no ar.

Não deixou recado, mas deixou a certeza de que faria isso a qualquer momento, dependia da pressão que sentia dentro de si para cometer um desatino.

Costumo dizer que todos nós somos capazes de tudo, até daquilo que alguém seja capaz de duvidar.

E são muitos os dizeres que tentam nos ensinar comportamentos e não caímos na real. Quando dizem que coração dos outros é terra que ninguém anda, achamos ser só uma frase feita para ilustrar texto.

São estranhos os comportamentos dos humanos e difíceis de entender a curto e médio prazo. Alguns nunca entendemos. Mesmo a convivência do dia-a-dia deixa margem para dúvida sobre o próximo passo. Quando o tal passo é dado pode ser tarde e surpreendente o resultado. Sem ter mais o que fazer a não ser lamentar.

O meu amigo passou a ser parte de uma história intrigante, somente o tempo poderá explicar.



Escrito por Tobias Marques às 15h37
[] [envie esta mensagem
] []





Férias Escolares

 

As férias escolares de meio do ano me colocavam em duas situações distintas:

A primeira eu teria que sair da cidade e ficar no sitio durante todo mês de julho, fazendo pequenas tarefas escalado por meu pai, quando não faltava o que fazer. A segunda os folguedos em família. Éramos muitos primos e não faltava novidade. Visitas uns nas casas dos outros, as serestas com vitrolas e as tertúlias em qualquer lugar. No grupo escolar tinha que ser à tardinha de sábado ou de domingo.

Mas o bom mesmo eram as quadrilhas juninas e não era difícil encontrar doze pares, a maioria de primos com primos e até de irmão com irmã, quando não se chegava a conclusão com quem dançar.

Não era impossível encontrar divertimento. Os homens saiam a procura de jogo de futebol ou de algumas festas distantes e o cavalo era o meio de transporte usado, devido a falta de carros e estradas na época. Já as mulheres esperavam acontecer alguma coisa perto de casa para se divertirem.

Quanto às tarefas determinadas por meu pai iam de acordar de madrugada para moer cana, até pastorar gado nas capoeiras o dia todo, às vezes. Depois disto tinha que conduzir os animais até o riacho para dar-lhes água, servi-los ração e deixá-los acomodados nos currais e baias, uma necessidade e exigência de papai.

No engenho de moer cana ainda eram os bois quem faziam as engrenagens triturar a cana e encher tachos e dornas para fazer rapadura ou cachaça.

Para meu pai não faltava cana, tanto ele plantava quanto comprava dos vizinhos ainda no pé. Valia olhar para determinar o preço e, certamente acertava todas, já que não acumulava prejuízo alto em suas negociações. Na verdade ele não se queixava de perdas.

No final do ano era maior o período, mas isto é outra história.



Escrito por Tobias Marques às 08h36
[] [envie esta mensagem
] []





Erros e Acertos

 

O tempo por aqui parece não concordar com o que prevêem os técnicos da meteorologia. Eles estão dizendo que o tempo está nublado ou vai ficar e nada disto acontece. Só quando não chove de jeito nenhum é que achamos mais acerto do que erro, mesmo assim há controvérsia, dependendo da escassez de chuva do período.

Assisti certa vez a um vídeo do comediante Chico Anísio no inicio da década de sessenta e ele fazia critica aos serviços de meteorologia. Se hoje com toda parafernália de equipamentos eles erram, imagina-se em tempos remotos, quando se recorria até aos comportamentos dos animais, aves e insetos para prejulgar os acontecimentos do tempo.

Ao que se deduz é que somos inteligentes, mas o tal do livre arbítrio mais nos atrapalha do que ajuda e a necessidade de termos um futuro assegurado não hesitamos em apelar de toda forma para concluir nossa duvidosa profetização.

Falar nisto os homens do campo, aqueles que se dizem profetas, são mais contidos e divulgam o que vai acontecer com cautela, preferindo que sua reputação não seja posta fora numa tarde de verão ou num alvorecer de sol caliente, característico de nossa região chova ou faça sol.

Um sábio senhor antes de morrer previu cinco anos de chuvas fracas ou sem chuvas e morreu no segundo ano, mas sua profecia se consumou, embora todos torcessem para que não passasse de um mal entendido.

Estamos na metade do mês de julho e a previsão era de que até o inicio de junho ainda caiam leves chuvas, mas acabaria logo, leso engano, até agora algumas chuvas ainda caem e só pro final elas serão mais contidas, mesmo assim alguns rios e riachos ainda se mantêm com bastante água e alguns açudes continuam sangrando. Coisa jamais vista, salve em séculos distantes quando as florestas ainda eram compactas e o efeito estufa estava longe de ser alardeado.

Se o mundo está virado não sabemos, mas que está diferente isto está.

Sinais do tempo.



Escrito por Tobias Marques às 08h56
[] [envie esta mensagem
] []





A Viagem

 

Num dia nove de fevereiro eu deixava a minha Ipu em direção ao mundo desconhecido. E tudo era realmente novidade, a partir das comidas, diferentes da que mamãe fazia ou as pequenas casas de lanches.

Era a minha quarta mudança de moradia se considerar que aos seis anos meu pai mudou de residência depois que construiu uma nova casa na propriedade sobre a Serra da Ibiapaba.

As mudanças são um marco na nossa vida. Não é virar as costas para a realidade, mas encará-la com o desejo de vencer, pois só os determinados vencem.

O meu sonho era estudar e, lógico trabalhar para me sustentar como fazem os homens de bem. Eu queria provar já ser um homem.

Saí com a imagem da bica, do Cristo Redentor sobre torre da Igreja Matriz da cidade e do Patronato e também de muita gente boa da pequena Ipu.

O trem partia lotado e muitos tinham sonhos, ilusões e desilusões, cada um a seu modo, levando também saudade e uma ponta de esperança em vários pontos do país, quiçá do mundo.

Logo que cheguei ao Rio de Janeiro, ponto pré-determinado para fincar moradia, me deparei com uma série de requisitos inusitados e só dois dias depois foi que me deparei com a imagem do Cristo Redentor no alto do morro de braços abertos, tal qual aquela imagem, guardada a proporção, era a mesma de Ipu. Eu estava diante do Cristo de braços abertos me recebendo. Todo dia vendo-O e também pedindo para que me abençoasse ou continuasse me abençoando, com uma tarefa maior, eram mais de seis milhões com a mesma pretensão de chegar a algum lugar com sucesso.

Eu não via a bica e tinha saudade dela, aliás, de tudo, mas sabia que em meio a tudo de contraste a vida tinha que ser tocada.



Escrito por Tobias Marques às 09h18
[] [envie esta mensagem
] []





Outra Vez, Roberto Carlos

 

Mais uma noite de Roberto Carlos na televisão. Cinquenta anos de fidelidade com um público que só cresce. Hoje já não se sabe qual a geração que mais se empolga com as canções e, principalmente com a presença dele nos palcos.

No inicio era só mais um ávido por entrar no mundo artístico e, claro crescer. E ele foi longe, depois de seis anos de muito trabalho e meio desconhecido teve a felicidade de mandar tudo pro inferno e ser aplaudido por muitos, principalmente pelos jovens da época, que via a ditadura militar ganhar terreno já com quase um ano no poder.

Roberto proporcionou isto e daí pra frente não faltou mais sucesso. Homens e mulheres aderiram seu jeito e o movimento ficou cognominado de Jovem Guarda e choveu adeptos no mundo artístico, também outros cantores, compositores e produtores se faziam necessário que existissem.

Já se tinha noticia de um grupo inglês que fazia muito sucesso pela Europa e aconteceu um movimento paralelo, sendo as músicas do grupo traduzidas para o português e o sucesso era iminente.

Tudo parecia acontecer de uma vez só, a febre musical tomava conta e não eram poucas as canções de protesto contra os militares, daí muitos foram presos, torturados e até mortos numa repressão ao que pensavam e ao que diziam intelectuais e desconfortáveis no próprio país. Para o exílio muitos foram e não voltaram. Caetano Veloso e uma turma de sua tribo foram parar na Europa, felizmente retornaram depois de alguns anos, parece que até com mais inspiração.

Roberto Carlos e muitos outros, Erasmo inclusive não se lançaram no mundo do protesto. Quero que vá tudo pro inferno foi só uma espécie de abertura e quem entendeu que era contra o regime pouco ligou, os jovens assimilaram e cantaram, mas não passou disto Roberto ganhou o título de Rei. Seria rei do quê? Era rei da juventude. Ronnie Von, por exemplo, ficou com ciúmes, outros talvez, mas não se manifestaram. A verdade é que Roberto se mantém até hoje um sucesso com o carisma de sempre. A sua simplicidade é um marco e toda vez que se apresenta é um auê, gente de toda parte comparece com o mesmo entusiasmo como se fosse a primeira vez.

Assim é a vida de um rei com todos os súditos aos seus pés, ou melhor, ao seu redor para registrar o acontecimento, fazer parte do show e testemunhar os cinqüenta anos de sucesso.



Escrito por Tobias Marques às 09h00
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]